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Bolsonaro e Eduardo são indiciados por coação a autoridades e tentativa de abolição do Estado democrático de direito

F entendeu que ex-presidente e o filho atuaram para atrapalhar as investigações, inclusive com atuação junto ao governo Trump

Redação
Por: Redação
20/08/2025 às 20h26
Bolsonaro e Eduardo são indiciados por coação a autoridades e tentativa de abolição do Estado democrático de direito
14.nov.2018 - Sergio Lima/AFP

Brasília – A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação a autoridades responsáveis pela ação penal do golpe de Estado.

Segundo o relatório, há indícios de que os dois também tenham cometido o crime de tentativa de abolição do Estado democrático de direito, já que suas ações miraram diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) e até mesmo o Congresso Nacional.

Mensagens e redes sociais

A investigação aponta que Bolsonaro usou celulares apreendidos para produzir e divulgar mensagens nas redes sociais, descumprindo medidas cautelares. A PF também extraiu áudios e conversas apagadas entre Bolsonaro, Eduardo e o pastor Silas Malafaia.

Em uma das mensagens, Malafaia instrui o ex-presidente a disparar vídeos com frases como “ATENÇÃO! Dispara esse vídeo às 12h” e “Se você se sente participante desse vídeo, compartilhe. Não podemos nos calar!”.

Já Eduardo Bolsonaro passou a publicar em inglês, com o objetivo de influenciar a comunidade internacional e pressionar contra o processo no Brasil. Ele está nos Estados Unidos, onde atua em articulação com aliados do ex-presidente Donald Trump.

Situação jurídica

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. A medida foi imposta justamente pelas tentativas de coação investigadas.

Além disso, ele é réu no processo por tentativa de golpe de Estado, cujo julgamento no STF está marcado para 2 de setembro.

Malafaia na mira

Nesta quarta, a PF também cumpriu mandado contra o pastor Silas Malafaia, que teve celulares apreendidos no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Ele prestou depoimento, mas não foi indiciado.

Pedido de asilo

A polícia ainda localizou em um celular de Bolsonaro um rascunho de pedido de asilo político na Argentina, em caráter de urgência. Segundo os investigadores, o documento indica que o ex-presidente já planejava deixar o país desde fevereiro de 2024.