
Brasília – A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação a autoridades responsáveis pela ação penal do golpe de Estado.
Segundo o relatório, há indícios de que os dois também tenham cometido o crime de tentativa de abolição do Estado democrático de direito, já que suas ações miraram diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) e até mesmo o Congresso Nacional.
A investigação aponta que Bolsonaro usou celulares apreendidos para produzir e divulgar mensagens nas redes sociais, descumprindo medidas cautelares. A PF também extraiu áudios e conversas apagadas entre Bolsonaro, Eduardo e o pastor Silas Malafaia.
Em uma das mensagens, Malafaia instrui o ex-presidente a disparar vídeos com frases como “ATENÇÃO! Dispara esse vídeo às 12h” e “Se você se sente participante desse vídeo, compartilhe. Não podemos nos calar!”.
Já Eduardo Bolsonaro passou a publicar em inglês, com o objetivo de influenciar a comunidade internacional e pressionar contra o processo no Brasil. Ele está nos Estados Unidos, onde atua em articulação com aliados do ex-presidente Donald Trump.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. A medida foi imposta justamente pelas tentativas de coação investigadas.
Além disso, ele é réu no processo por tentativa de golpe de Estado, cujo julgamento no STF está marcado para 2 de setembro.
Nesta quarta, a PF também cumpriu mandado contra o pastor Silas Malafaia, que teve celulares apreendidos no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Ele prestou depoimento, mas não foi indiciado.
A polícia ainda localizou em um celular de Bolsonaro um rascunho de pedido de asilo político na Argentina, em caráter de urgência. Segundo os investigadores, o documento indica que o ex-presidente já planejava deixar o país desde fevereiro de 2024.