
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou nesta sexta-feira (22) que integrantes da Milícia Nacional Bolivariana se apresentem a partir deste sábado (23) em quartéis, praças públicas e nas mais de 15 mil bases populares de defesa integral espalhadas pelo país.
“É importante aprender as lições do processo histórico que vivemos: a união do Poder Popular, do Poder Militar e do Poder Policial é a garantia da vitória. Por isso, convoco um processo de alistamento nacional para a Milícia Bolivariana”, afirmou Maduro em comunicado divulgado no Telegram.
Segundo o chavista, os milicianos desempenham papel fundamental para a “soberania, unidade nacional e segurança”. Ele disse ainda se orgulhar do que chamou de patriotismo e qualidades humanas dos integrantes do grupo.
Na segunda-feira (18), Maduro havia anunciado o envio de mais de 4,5 milhões de milicianos para diferentes cidades do país como parte de um “plano de paz”. O governo também informou a criação de três zonas de desenvolvimento e segurança na fronteira com a Colômbia, sem detalhar como irão funcionar.
A convocação ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática com os Estados Unidos. Washington enviou navios de guerra para o Caribe com a justificativa de reforçar o combate ao narcotráfico na região. Maduro classificou a mobilização como “ameaça à paz regional” e violação do direito internacional.
Criada por Hugo Chávez, a Milícia Nacional Bolivariana é um braço complementar das Forças Armadas. Formada por voluntários que recebem treinamento básico e, em alguns casos, armas, a força atua tanto em tarefas de defesa territorial quanto em projetos sociais do governo.
Críticos acusam o grupo de funcionar como um braço paramilitar usado para reprimir opositores e controlar a população. A ONU já expressou preocupação com a atuação da milícia. Relatórios do Alto Comissariado de Direitos Humanos apontam relatos de perseguição a ativistas e uso do grupo para fins de repressão política.
A convocação dos milicianos também coincide com a decisão dos Estados Unidos de dobrar a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro: de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões.
Washington acusa o líder venezuelano de chefiar o chamado Cartel dos Sóis, organização criminosa que facilitaria o envio de grandes carregamentos de cocaína aos EUA. Em vídeo publicado no X, a procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, também acusou Maduro de colaborar com grupos como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.
Maduro nega as acusações.