Um corpo celeste detectado em 1º de julho pelo telescópio ATLAS, no Chile, reacendeu um dos debates mais polêmicos da astronomia contemporânea. Batizado de 3I/ATLAS, o objeto tem cerca de 20 km de diâmetro, viaja a mais de 41 milhas por segundo (aproximadamente 66 km/s) e se tornou apenas o terceiro corpo confirmado vindo de fora do Sistema Solar.
Segundo a NASA, trata-se provavelmente de um cometa interestelar, que cruzará o Sistema Solar entre outubro e dezembro deste ano antes de seguir viagem, sem retornar. No entanto, o físico e astrônomo Avi Loeb, professor de Harvard, afirma que as evidências apontam para uma possibilidade muito mais intrigante: há 40% de chance de o objeto não ser natural.
Em entrevistas a veículos internacionais como CNN e NewsNation, além de participações em canais especializados, Loeb afirmou que a trajetória e o brilho do 3I/ATLAS não se comportam como os de um cometa típico.
Trajetória improvável: o objeto se aproxima do Sistema Solar com inclinação de apenas 5° em relação ao plano orbital da Terra, o que Loeb considera estatisticamente improvável para ocorrer por acaso.
Brilho fora do padrão: imagens do Telescópio Espacial Hubble mostram que o brilho está localizado à frente do corpo, quando seria esperado que uma cauda de poeira ou gelo se formasse atrás, como ocorre com cometas.
Escassez de material rochoso: para o cientista, não haveria material suficiente no espaço interestelar para que corpos desse porte apareçam em frequência tão curta — cerca de uma década.
“Nunca vimos nada assim”, declarou. Em tom mais leve, chegou a brincar: “Se ele manobrar, pode quebrar a bolsa do mundo inteiro!”
Outro elemento que alimentou as especulações foi a decisão da NASA e da equipe do Telescópio Espacial James Webb (JWST) de reter por 90 dias todas as imagens captadas do 3I/ATLAS. Oficialmente, a agência afirma que a medida serve para “análise científica detalhada”, mas a justificativa não convenceu parte da comunidade científica e do público.
Isso porque outros alvos considerados mais relevantes — incluindo galáxias distantes e até exoplanetas com potencial habitabilidade — nunca passaram por restrição semelhante. A medida, portanto, levantou suspeitas de que a agência estaria tentando controlar a divulgação de informações sobre o objeto.
Loeb defende que a hipótese de uma sonda alienígena não deve ser descartada. Em sua própria escala de avaliação, a Loeb Scale, atribuiu nota 6 de 10 ao 3I/ATLAS — valor que indica, segundo ele, maior probabilidade de origem artificial do que natural.
“Estamos preocupados com ameaças da inteligência artificial, mudanças climáticas e impactos de asteroides, mas nunca discutimos tecnologia alienígena”, afirmou. Para ele, o momento mais crítico será quando o corpo estiver do outro lado do Sol, em novembro, tornando observações diretas mais difíceis e, em tese, abrindo espaço para eventuais “manobras invisíveis”.
O astrônomo já esteve no centro de controvérsias semelhantes. Em 2017, defendeu que o objeto interestelar ‘Oumuamua poderia ter origem artificial, hipótese rejeitada pela maioria dos colegas. Em 2023, liderou a recuperação de fragmentos de meteorito no Oceano Pacífico e afirmou ter encontrado ligas metálicas inéditas, também com possível origem interestelar.
Apesar da cautela da NASA e de outros pesquisadores, que classificam o 3I/ATLAS como um cometa sem risco direto para a Terra, Loeb insiste que a investigação global precisa ser imediata.
“O 3I/ATLAS pode vir para nos salvar ou destruir. Devemos estar preparados para ambas as opções”, disse.