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Astrônomos confirmam descoberta de objeto interestelar

O 3I/ATLAS é considerado um cometa raro

Redação
Por: Redação
16/08/2025 às 08h32 Atualizada em 16/08/2025 às 08h55
Astrônomos confirmam descoberta de objeto interestelar
© X – @TuiteroSismico

Santiago, Chile — Astrônomos confirmaram a descoberta de um raro visitante vindo de fora do Sistema Solar: o cometa 3I/ATLAS. Ele é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado, depois do asteroide ʻOumuamua (2017) e do cometa Borisov (2019).

O cometa foi detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), instalado em Río Hurtado, no Chile. Sua trajetória incomum chamou a atenção da comunidade científica e observações adicionais confirmaram sua origem interestelar. O número “3” indica que este é o terceiro objeto desse tipo já catalogado, enquanto a letra “I” se refere a “interestelar”.

Um visitante de passagem

O 3I/ATLAS segue uma órbita hiperbólica, o que significa que não está preso ao Sol. Após cruzar o Sistema Solar, continuará rumo ao espaço profundo, sem retorno. Atualmente, encontra-se a cerca de 670 milhões de quilômetros do Sol. Sua maior aproximação será em 30 de outubro de 2025, quando passará próximo à órbita de Marte, a cerca de 210 milhões de quilômetros de distância do Sol. Não há risco de colisão com a Terra.

Um cometa ativo

O objeto também recebeu a designação C/2025 N1, por apresentar atividade cometária. Observações do Telescópio Espacial Hubble, feitas em 21 de julho de 2025, indicam que seu núcleo pode ter entre 320 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro, embora a estimativa seja difícil devido à presença da coma — a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo.

À medida que se aproximar do Sol, o cometa deverá se tornar mais ativo, liberando gases e poeira em razão do aquecimento. Ele poderá ser observado por telescópios terrestres até setembro, voltando a ficar visível no início de dezembro de 2025.

Pistas sobre outros sistemas planetários

Segundo especialistas, objetos interestelares como o 3I/ATLAS oferecem informações únicas sobre a formação de outros sistemas planetários. “Ainda são muito poucos objetos, mas cada um é único e pode nos ajudar a entender melhor como mundos distantes se formam”, explicou o astrônomo Jorge Márcio Ferreira Carvano, do Observatório Nacional do Brasil.

O cientista destacou ainda que a composição química de cometas varia conforme a estrela em torno da qual se formaram. Enquanto ʻOumuamua não apresentou sinais de atividade, Borisov mostrou-se rico em monóxido de carbono, indicando origem em um ambiente distinto do Sistema Solar.