Quinta, 10 de Setembro de 2026
21°C 25°C
Macaé, RJ
Publicidade

Brasil tem desafios na logística reversa de lixo eletrônico

O país é o quinto que mais gera lixo eletrônico no mundo, com 2,4 milhões de toneladas anuais, e ainda registra baixa coleta formal de resíduos ele...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
09/12/2025 às 20h28
Brasil tem desafios na logística reversa de lixo eletrônico
Imagem de Freepik

Logística reversa é o conjunto de ações usadas para coletar e devolver resíduos ao setor empresarial para que sejam reaproveitados ou recebam uma destinação final ambientalmente adequada, segundo a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Em 2020, o Decreto nº 10.240 regulamentou a logística reversa de resíduos eletroeletrônicos no país.

O Brasil é o quinto país que mais produz lixo eletrônico, com 2,4 milhões de toneladas anuais,conforme noticiado pelo Jornal Nacional. O Acordo Setorial para a Logística Reversa de Produtos Eletroeletrônicos, firmado em 2019, definiu metas para a cadeia produtiva e prevê que, até o final de 2025, haja coleta de 17% do volume colocado no mercado em 2018, ano base definido.

Sérgio Diniz, agente de coletas e porta-voz da entidade gestora de logística reversa sem fins lucrativos Ecobraz, afirma que a relevância atual da logística reversa de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE) no Brasil é crítica e crescente por três razões principais.

Segundo ele, o aumento do consumo, baseado especialmente no ciclo de vida dos dispositivos — que caiu de dois a quatro anos — amplia o volume de descarte. O não cumprimento da logística reversa, conforme previsto na PNRS e no Decreto 10.240/2020, implica risco jurídico, Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) e multas, e os materiais têm alto valor de mercado e importância estratégica.

"Os REEE contêm metais como ouro, prata, cobre, paládio e terras-raras, cuja recuperação reduz a dependência de importação e a volatilidade de preços. Nesse contexto, a logística reversa se consolida como um dos pilares ambientais mais relevantes do país hoje, tanto por risco quanto por oportunidade", explica o especialista.

Para o agente, os maiores desafios do Brasil para retorno, tratamento e destinação correta de REEE são a baixa capilaridade estrutural, a baixa adesção empresarial, a força do mercado informal, a desinformação do consumidor e o custo logístico elevado.

"Com poucos pontos de coleta e transporte especializado, especialmente fora das capitais, a operação adequada de REEE é dificultada. Sucateiros e recicladores irregulares podem desviar material, a maior parte dos usuários não sabe onde descartar ou acredita que o lixo eletrônico é lixo comum, e os custos de transporte dedicado são de três a seis vezes maiores que os do resíduo convencional, gerando risco ambiental e perda de rastreabilidade", acrescenta o porta-voz da Ecobraz.

Diniz aponta que o cumprimento da PNRS para eletroeletrônicos apresenta avanços concretos, entretanto, ainda persistem lacunas críticas. "A regulamentação específica, que estabelece metas, criação de sistemas coletivos e acordos setoriais é um marco, mas menos de 30% das empresas cumprem integralmente as metas, falta fiscalização contínua e efetiva, não existe rastreabilidade em nível nacional e a meta de 17% de coleta até 2025 ainda está distante da realidade".

Recuperação e destinação de REEE

De acordo com a edição de 2024 do relatório das Nações Unidas Monitor Global de Lixo Eletrônico, o mundo produziu 62 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos em 2022. Desse total, 14 milhões de toneladas foram recolhidas e recicladas, o equivalente a 22,3%. A projeção indica que essa taxa deve cair para 20% até 2030, já que a geração de lixo eletrônico cresce em ritmo superior aos esforços globais de reciclagem."A destinação incorreta de resíduos eletroeletrônicos aumenta riscos ambientais e de saúde já comprovados. A contaminação por metais pesados, como chumbo, cádmio, mercúrio e níquel, afeta solo e água e pode persistir no ambiente por décadas. Além disso, riscos ocupacionais surgem quando a queima e o desmonte informal liberam dioxinas, furanos e partículas tóxicas", detalha o especialista.

O profissional ressalta que o impacto sobre os ecossistemas se manifesta na bioacumulação desses metais em plantas, animais e na cadeia alimentar, e os riscos diretos à população podem incluir doenças neurológicas, respiratórias, renais e alterações decorrentes da exposição a esses resíduos.

"A má gestão de resíduos eletroeletrônicos contribui para impactos ambientais relevantes. A contaminação do solo e das águas subterrâneas ocorre quando lixões e aterros mal operados liberam metais pesados por infiltração. A queima informal de fios e placas provoca emissão de poluentes, incluindo dioxinas e compostos orgânicos persistentes", reforça Diniz.

De acordo com o agente, a logística reversa formal permite recuperar entre 80% e 95% dos materiais presentes em REEE, dependendo da categoria. Metais como ouro e prata podem ser até cem vezes mais concentrados em placas eletrônicas do que em minérios naturais, enquanto a recuperação de cobre apresenta média superior a 90%. Plásticos técnicos apresentam reciclabilidade entre 40% e 70% quando segregados corretamente.

Atuação da Ecobraz na logística reversa

A Ecobraz atua com objetivo de fortalecer a cadeia de logística reversa totalmente licenciada e rastreável, conforme a PNRS, abrangendo coleta, transporte, triagem, descontaminação e destinação final.

A empresa conecta fabricantes, distribuidores, empresas, consumidores e governo por meio de um modelo de operação circular, centralizado em logística, coleta e triagem para que cada elo cumpra sua função legal.

A entidade sem fins lucrativos também apoia a educação do consumidor e a instalação de pontos de entrega, promovendo campanhas de orientação, e fornece relatórios e dados com métricas e indicadores ambientais para Environmental, Social and Governance (ESG ou Ambiental, Social e Governança), compliance e auditorias.

Para mais informações, basta acessar: ecobraz.org/

Divulgação - GFT Technologies
Tecnologia Há 2 semanas

GFT leva novo ecossistema corporativo de IA ao FEBRABAN TECH

Após modernizar mais de 100 milhões de linhas de código legado, ecossistema evolui para integrar criação de agentes inteligentes, governança corporativa, gestão financeira da IA e modernização de sistemas críticos em uma arquitetura aberta e agnós...

Imagem ilustrativa/Magnific
Tecnologia Há 2 semanas

Energia solar poderá abastecer o transporte de São Paulo

Além de gerar economia na conta de luz de residências e empresas, a energia solar poderá fazer parte da rotina dos paulistanos nos terminais de ônibus da capital.

Imagem gerada por ChatGPT
Tecnologia Há 2 semanas

Produção local e API atraem empresas promocionais de fora

Diante do custo de importar e de operar no país, empresas de materiais promocionais do exterior passaram a usar fábricas brasileiras integradas por API para vender no mercado nacional sem estoque nem estrutura própria.

Divulgação/Shutterstock
Tecnologia Há 2 semanas

WhatsApp impulsiona estratégia conversacional nas empresas

O estudo da RD Station, operação da TOTVS, mostra que 74% dos times de Marketing e 75% de Vendas já utilizam o app de forma estratégica, apoiando o primeiro contato com potenciais clientes

Person Consultoria feito por IA
Tecnologia Há 2 semanas

Reforma tributária altera consumo e exige ajustes

A reforma tributária sobre consumo no Brasil institui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS), substituindo tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS. A mudança, prevista para ocorrer...