Economia Negócios
IFRS S1 e S2 ampliam risco regulatório a partir de 2026
Grant Thornton destaca necessidade de implementação imediata de controles internos para evitar riscos no reporte de sustentabilidade.
11/03/2026 18h53
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A adoção obrigatória das normas IFRS S1 e IFRS S2, a partir de 2026, marca uma mudança estrutural no padrão de reporte corporativo no Brasil e amplia significativamente o risco regulatório para companhias abertas. Pela primeira vez, informações sobre riscos climáticos e outros fatores de sustentabilidade passam a integrar formalmente o arcabouço financeiro das empresas, com exigência de asseguração razoável — o mesmo nível aplicado às demonstrações financeiras.

Na prática, isso significa que temas como riscos ambientais, transição energética, governança climática e impactos na cadeia de valor precisarão estar diretamente conectados às projeções de fluxo de caixa, à estratégia e ao desempenho financeiro. A inconsistência entre discurso e números poderá gerar não apenas questionamentos reputacionais, mas também ressalvas formais de auditoria.

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Como se preparar para as mudanças
Segundo Clayton Codo, sócio de Auditoria com foco em ESG da Grant Thornton Brasil, o principal desafio está na implementação de controles internos adequados. "As normas IFRS S1 e S2 não tratam de narrativa institucional. Elas exigem governança, evidência e rastreabilidade de dados. Se os controles não estiverem desenhados e operando ao longo do exercício, existe risco concreto de ressalva já no primeiro ciclo obrigatório", afirma.

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As normas exigem que as empresas identifiquem riscos e oportunidades materiais relacionados à sustentabilidade — especialmente os climáticos — e demonstrem como esses fatores podem afetar o desempenho, o acesso a capital e a continuidade operacional. O escopo inclui ainda informações ao longo da cadeia de valor, o que amplia a complexidade de coleta e validação de dados.

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"O que muda é o nível de responsabilidade da administração. A sustentabilidade passa a ser tratada como risco financeiro. O mercado tende a reagir com mais rigor a inconsistências ou fragilidades na governança dessas informações", acrescenta Clayton. As normas IFRS S1 e S2 consolidam a sustentabilidade como uma variável central na análise de risco e na precificação de ativos, elevando o padrão de transparência e o nível de escrutínio por parte de investidores, reguladores e auditores.

Prazos para adequação
O cronograma regulatório estabelece que 2024 e 2025 foram anos de adoção voluntária, enquanto 2026 marca o início da obrigatoriedade, com publicação dos relatórios em 2027. "A implementação pode levar seis meses ou mais, dependendo do nível de maturidade da empresa. Adiar o processo não elimina o risco — apenas o transfere para um momento em que haverá menos margem de ajuste", alerta o especialista da Grant Thornton.

Com a exigência de asseguração razoável, a responsabilidade da administração e o nível de escrutínio sobre premissas e estimativas relacionadas a riscos climáticos tendem a aumentar. "Sustentabilidade deixa de ser um relatório institucional e passa a integrar o core da gestão de risco e da estratégia corporativa", finaliza Clayton.