Macaé Política
Ruas perde no STF, PL enfraquece e Garotinho ganha força no Rio
Decisão de Luiz Fux impede presidente da Alerj de assumir o Governo do Estado em meio ao desgaste de aliados políticos, enfraquece o grupo ligado ao PL e pode abrir espaço para o crescimento de Anthony Garotinho na disputa pelo Palácio Guanabara.
31/05/2026 18h32 Atualizada há 3 meses
Por: Redação
Foto: Reprodução

A decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), de negar o pedido para que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), assumisse interinamente o Governo do Estado, chegou em um momento particularmente delicado para o parlamentar. Mais do que uma derrota jurídica, o episódio evidenciou o enfraquecimento de um grupo político que, até pouco tempo atrás, concentrava grande influência sobre os rumos do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, Douglas Ruas construiu sua trajetória política ao lado de duas das figuras mais poderosas da política fluminense: o ex-governador Cláudio Castro e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. Foi dentro desse grupo que Ruas ganhou espaço, ocupou cargos estratégicos e chegou à presidência da Assembleia Legislativa.

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Mas a força política que impulsionou sua ascensão começou a sofrer sucessivos golpes.

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O primeiro e mais impactante atingiu Rodrigo Bacellar. Considerado um dos articuladores mais influentes do estado, ele passou a enfrentar uma grave crise após ser alvo de investigações da Polícia Federal. As apurações tiveram ampla repercussão nacional e colocaram sob pressão uma das principais lideranças do grupo político que sustentava o governo estadual.

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Pouco depois, outro fato trouxe desgaste para o PL. O vazamento de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro gerou forte repercussão política. As gravações divulgadas pela imprensa mostraram pedidos de apoio financeiro para uma produção cinematográfica relacionada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora o caso não envolva acusações criminais, o episódio provocou questionamentos e aumentou a exposição negativa do partido.

Na sequência, surgiram reportagens revelando a participação do então governador Cláudio Castro em um encontro realizado em Nova York e promovido por Daniel Vorcaro. O evento reuniu lideranças nacionais de vários partidos e teria custado cerca de R$ 5 milhões. A repercussão do caso ampliou as críticas ao grupo governista e fortaleceu a percepção de desgaste político.

Em meio a essa sequência de episódios, Cláudio Castro anunciou sua desistência de disputar uma vaga ao Senado. A decisão foi interpretada  como um reconhecimento das dificuldades enfrentadas por seu grupo e retirou da disputa uma das principais lideranças da direita fluminense.

Foi justamente nesse período de turbulência que Douglas Ruas sofreu sua mais recente derrota política. Caso tivesse conseguido assumir interinamente o Governo do Estado, ganharia visibilidade, projeção administrativa e uma posição privilegiada para uma eventual candidatura majoritária. A decisão de Luiz Fux encerrou essa possibilidade e reduziu uma importante oportunidade de fortalecimento político.

É importante destacar que Douglas Ruas não é alvo das investigações divulgadas até o momento e não existem acusações públicas que o relacionem aos fatos investigados envolvendo outras lideranças. Ainda assim, na política, muitas vezes o desgaste de um grupo atinge todos os seus integrantes, independentemente de responsabilidade direta.

O resultado é que Ruas passa a enfrentar um desafio e agora precisa demonstrar capacidade de liderança sem contar com a mesma estrutura política que impulsionou sua trajetória.

Ao mesmo tempo, o enfraquecimento do PL no Rio de Janeiro cria oportunidades para adversários.

Entre os nomes que mais podem se beneficiar desse movimento está o ex-governador Anthony Garotinho. Durante muito tempo tratado como uma alternativa fora do eixo principal da disputa, Garotinho pode encontrar justamente na crise do grupo governista a oportunidade de recuperar protagonismo.

Caso o desgaste do PL persista e Douglas Ruas não consiga se firmar na disputa, Anthony Garotinho pode crescer além da atual terceira colocação nas pesquisas e alcançar o segundo lugar, entrando de vez na briga por uma vaga no segundo turno. O cenário é favorecido pela existência de uma parcela significativa do eleitorado fluminense identificada com pautas conservadoras e de direita, que tradicionalmente apoia Jair Bolsonaro, mas que também demonstra resistência a uma eventual candidatura de Eduardo Paes.

Se parte desses eleitores enxergar em Garotinho uma alternativa viável, a disputa pelo Palácio Guanabara poderá ganhar uma nova dinâmica. A transferência desse eleitorado teria potencial para alterar pesquisas, mudar alianças e tornar a eleição muito mais equilibrada do que parecia no início do processo.

As últimas eleições demonstraram que a direita continua tendo forte presença no estado do Rio de Janeiro. Por isso, a reorganização desse eleitorado será decisiva para definir quem chegará ao segundo turno.

Há quem avalie, nos bastidores da política fluminense, que Douglas Ruas possa reconsiderar uma eventual candidatura ao Governo do Estado. Embora ele não tenha manifestado publicamente qualquer intenção de desistir da disputa, parte da classe política acredita que o presidente da Alerj poderá optar por um caminho mais seguro: buscar a reeleição para a Assembleia Legislativa e concentrar esforços na preservação de sua principal base eleitoral, São Gonçalo.

A estratégia permitiria a Ruas manter influência política, preservar seu capital eleitoral e fortalecer o PL em um dos municípios mais importantes do estado, onde o partido consolidou uma estrutura política sólida nos últimos anos. Para aliados, essa alternativa garantiria a manutenção de seu protagonismo político e fortalecimento do partido na Alerj.