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Verde e amarelo podem dificultar a reeleição de Lula

Presença das cores nacionais durante o torneio reacende debate sobre patriotismo, identidade política e disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Por: Ismael Torquato
06/06/2026 às 13h57 Atualizada em 06/06/2026 às 14h16
Verde e amarelo podem dificultar a reeleição de Lula
NACHO DOCE (REUTERS)

A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar não apenas o futebol, mas também o ambiente político brasileiro. Com o torneio terminando em 19 de julho e a propaganda eleitoral começando oficialmente em 16 de agosto, o país viverá uma rara coincidência entre a euforia esportiva e o início da disputa pelo voto.

Durante uma Copa, as cores verde e amarela tomam conta das ruas, das redes sociais, dos comércios e da rotina dos brasileiros. Milhões de camisas da Seleção são vendidas, bairros inteiros são decorados e o sentimento de patriotismo ganha força. Porém, esse fenômeno poderá ter reflexos que vão além do esporte.

Nos últimos anos, a direita brasileira, especialmente o bolsonarismo, conseguiu associar sua imagem aos símbolos nacionais. A bandeira do Brasil, a camisa da Seleção e as cores verde e amarela passaram a ser utilizadas com frequência em manifestações e campanhas políticas, criando uma identificação que permanece viva para parte do eleitorado.

Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, segue ligado à identidade visual tradicional de seu partido, marcada pela cor vermelha. Caso as pesquisas continuem apontando uma disputa polarizada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, a presença massiva das cores nacionais durante a Copa poderá ganhar ainda mais relevância no debate político.

O impacto não acontece necessariamente de forma racional. Na comunicação política, símbolos possuem força emocional. Quando milhões de pessoas vestem a mesma cor, exibem bandeiras e compartilham imagens ligadas ao orgulho nacional, cria-se um ambiente visual capaz de reforçar sentimentos de pertencimento e identidade.

A dificuldade para a esquerda está justamente no fato de que essa associação entre patriotismo e direita foi construída ao longo de anos. Mesmo com tentativas de resgatar os símbolos nacionais para um campo mais amplo e apartidário, a Copa do Mundo tende a recolocar o verde e amarelo no centro das atenções em um momento decisivo para a política nacional.

Além disso, milhões de brasileiros devem chegar às urnas vestindo a camisa do Brasil. Essa presença massiva do verde e amarelo no dia da votação pode criar uma percepção de força, mobilização e crescimento em torno da direta.

Isso não significa que a eleição será decidida por camisas ou bandeiras. Economia, segurança pública, emprego e aprovação dos governos continuarão sendo fatores centrais para o eleitor. No entanto, em disputas apertadas, a batalha pelos símbolos também faz diferença.

Por isso, a Copa de 2026 poderá representar mais do que um campeonato de futebol. Ela pode se transformar em um dos elementos que ajudarão a definir o clima político do país às vésperas de uma das eleições mais disputadas dos últimos anos.